Neste artigo vamos mergulhar no profundo simbolismo de PAX. O que significa, afinal, essa palavra que ecoa há milênios? Seria apenas o termo latino para “paz”? Ou carregaria ela um sentido oculto, iniciático, que atravessa mitologias, religiões e tradições esotéricas? Por que sua presença é tão constante em ícones, pinturas, estátuas, emblemas e templos cristãos?
A resposta é que PAX é muito mais do que uma palavra. É um símbolo vivo, uma sigla sagrada e uma egrégora de imenso poder, que une o céu e a terra, o Macrocosmo e o Microcosmo, o Espírito e a Matéria.
A Deusa da Paz e o Sentido Original
Na mitologia romana, Pax era a deusa da paz, filha de Júpiter — o senhor supremo e da justiça. Entre os gregos, ela correspondia a Irene, filha de Zeus. Por isso, no latim, pax significa, simplesmente, paz.
O Cristianismo incorporou esse símbolo com toda a sua força. Encontramos PAX nos emblemas iniciáticos (como o de São Bento), nos cristogramas e monogramas de Cristo, e especialmente na liturgia. No hino Gloria in excelsis Deo, é proclamada:
“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.”
Nessa frase tão conhecida, esconde-se uma profunda verdade iniciática: a relação entre o Macrocosmo (o princípio criador, “Glória a Deus nas Alturas”) e o Microcosmo (a criatura humana, “paz na terra aos homens de boa vontade”). Quando se exalta o Criador, usa-se a palavra “Glória”. Quando se abençoa a criatura, usa-se PAX — a paz que nasce do equilíbrio perfeito entre os dois planos.
Essa paz não é ausência de conflito. É o equilíbrio vivo entre o Todo e a parte, entre o Espírito e a forma.
Mercúrio, o Supremo Equilibrador
Esse equilíbrio tem nome: Akbel, também chamado Mikael (“Quem como Deus”), o 6º Senhor ou Planetário — que na tradição greco-romana corresponde a Mercúrio (ou Hermes).
Mercúrio é o grande símbolo do Opus Alquímico porque representa a união das polaridades. Não é masculino nem feminino: é andrógino. Carrega em si a força da Trindade reunida, visível em seu próprio símbolo:
O círculo representa a Causa, o Pai, o Espírito;
A crescente lunar representa a Lei, a Mãe, a Alma;
A cruz representa o Efeito, o Filho, o Corpo.
Por isso Mercúrio é Dharma — o caminho da Lei — e não karma. É o princípio que diz: “Nem bem, nem mal, apenas a grandeza sublime da Lei”.
Esse mesmo equilíbrio supremo é expresso pelo Hexagrama, o Selo de Salomão: dois triângulos entrelaçados, um apontando para cima (Macrocosmo) e outro para baixo (Microcosmo). É a imagem perfeita do axioma iniciático: “Um no Todo e o Todo no Um”.
O Arcano VI e os Mistérios de Vênus e Mercúrio
No Tarô, esse princípio corresponde ao Arcano VI — O Amoroso. Regido por Touro, signo de Vênus, o Arcano VI guarda os mistérios tanto do 6º Senhor (Akbel/Mercúrio) quanto do 5º Senhor (Arabel, a face redimida de Luciferus, o Portador da Luz, A Luz da Manhã/Vênus).
Aqui se revela um dos mais belos mistérios: o Arcano VI é simultaneam ente mercuriano (por ser o 6º Arcano e representar o estado de consciência búdico) e venusiano (por ser regido por Touro). Ele une, portanto, os dois grandes Senhores que regem o atual estágio evolutivo da Terra.
O Touro, por sua vez, simboliza a alquimia na matéria — a transmutação do denso em sutil, da terra em espírito. É a síntese do Reino Animal e a porta para os mistérios do 4º Sistema (nosso atual estágio evolutivo).
PAX como Sigla Sagrada
Quando abandonamos o sentido meramente latino de “paz” e penetramos na tradição iniciática e teosófica, PAX revela-se como sigla sagrada, composta por três bijans (palavras de poder):
P — Pithis: o Pai, a Causa, o Fogo, o Espírito Universal (Satwa) - 1º Logos
A — Aleph: a Mãe, a Lei, a Alma Universal (Rajas) - 2º Logos
X — Xadu: o Filho, o Efeito, o Corpo, o Logos Encarnado (Tamas) - 3º Logos
Nessa ordem — Pithis-Aleph-Xadu — a sigla representa o Imanifestado projetando-se sobre a Matéria. Na ordem inversa — Xadu-Aleph-Pithis — representa o mundo manifestado retornando ao Espírito.
Assim, PAX carrega três grandes ideias:
Paz — o equilíbrio perfeito entre os veículos (Espírito, Alma e Corpo) e entre os sete estados de consciência;
Equilíbrio — a integração harmoniosa das polaridades;
Religação e Conexão — a ponte entre o quaternário manifestado e o triângulo espiritual, ligando-nos ao coração oculto da Terra: Agharta, a Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz.
A Egrégora do Globo Azul
Na tradição da Obra do Eterno, PAX é a própria egrégora representada pelo Globo Azul — um globo de azul índigo vivo, contendo em seu interior a sigla PAX triangulada em amarelo-dourado brilhante.
As três letras da sigla expressam o Teotrim Celeste: Espírito–Alma–Corpo, Causa–Lei–Efeito, Pai–Mãe–Filho. Mentalizar essa imagem com consciência é muito mais do que um exercício de visualização: é participar ativamente da construção de uma forma-pensamento coletiva de altíssima vibração.
Conexões com o Tarô e a Cabala
As letras de PAX também se relacionam com os Arcanos Maiores e o alfabeto hebraico:
P (Phe, valor 80) → Arcano XVII – As Estrelas (Mercúrio);
A (Aleph, valor 1) → Arcano I – O Mago (o Pai, o Espírito);
X (Shim, valor 300) → Arcano XXI – O Louco (o Filho).
Somando-se os valores pela Gematria o resultado é 381. E reduzindo 381, chegamos ao número 12, que se reduz a 3 — o número da manifestação trina. O Arcano 12 (O Pendurado), regido por Libra (também signo de Vênus), fala do sacrifício consciente e do equilíbrio que nasce da entrega à Lei.
Novamente, Vênus e Mercúrio se entrelaçam. E o Arcano 3 (A Imperatriz), regido por Vênus, fecha o círculo: a manifestação da Unidade no mundo da forma.
Um Universo de Símbolos
Como vemos, a partir de uma única sigla — PAX — podemos traçar conexões que se estendem por mitologia, liturgia, alquimia, Tarô, Cabala, astrologia esotérica e a tradição da Eubiose. Isso não é coincidência. É a própria natureza do símbolo autêntico: ele não se esgota. Quanto mais profundamente o contemplamos, mais ele se revela.
Por isso, quando mentalizamos o Globo Azul com a sigla PAX em seu interior — seja em nossos trabalhos individuais, coletivos ou ritualísticos —, estamos tocando em algo muito sagrado. Estamos nos conectando com a egrégora da Obra do Eterno na face da Terra e com o Governo Oculto do Mundo, onde impera Melki-Tsedek, Rei de Paz e de Justiça.
Que possamos fazê-lo sempre com responsabilidade, respeito e zelo.
Com carinho e luz,
João Paulo Haak Miranda